110 anos do Sport e minha infância tricolor

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Por José Henrique Mota

Fui criado no meio de tricolores; meu avô, meu pai, meus irmãos, muitos tios e primos também. Um irmão do meu pai, inclusive, participou da construção do anel superior do Arruda. Cresci rodeado de tricolores, indo com meu velho ao Arruda seja para jogos, seja para encontros com outros tricolores. Nas rodas de amigos tinham ex-presidentes, conselheiros e tricolores notórios e eu conheci todos. Até os 7 anos o meu mundo era vermelho, preto e branco; Sport e Náutico só existiam quando os via no José do Rego Maciel.

Em 1987, todavia, o meu pai resolveu me levar para um clássico entre Sport e Santa Cruz na Ilha do Retiro. Durante 1 semana ele ficava me repetindo “você não pode gritar gol do Santa, porque vamos estar perto da torcida do Sport, tá certo?” Eu, por mais que não entendesse porque não poderia comemorar os gols, concordava com tudo. Queria conhecer a tal Ilha do Retiro. A imaginação de uma criança de 7 anos é pra lá de fértil, então eu imaginava que era uma Ilha de verdade e que iríamos de barco; eu achava que seria uma aventura.

Fomos acompanhados de um amigo do meu velho, que tinha umas cadeiras na Ilha; não pude esconder a decepção ao chegar e perceber que a Ilha ficava em terra firme e não teria passeio de barco e a risada dos adultos foi inevitável. As decepções acabaram aí; Percebi um clima diferente ali, algo que me despertou um sentimento diferente daquele que sentia ao ir nos jogos do Santa.

Eu hoje pagaria qualquer coisa para ver minha cara ao subir nas cadeiras e dar de cara com a arquibancada cheia. Foram alguns segundos de deslumbre, puro encantamento mesmo. Vi, de cara, a torcida agitando bandeiras na arquibancada central e não consegui tirar os olhos dali durante algum tempo. Depois entrou a treme terra e aí o frevo me contagiou de vez.

Os times entraram em campo e foi um clássico daqueles. A virada do Sport pra cima do Santa e o golaço de Éder cobrando falta são meros detalhes no meio desta história. Se teve algo que realmente me cativou naquele dia foi um grito “É rubro-negrooooo, é rubro-negroooooo, olê, olê, olêêêêê”. Era de arrepiar aquela música; Ver a Ilha cantando em uníssono foi fenomenal e aí eu já não tinha dúvidas o Sport tinha arrebatado o meu coração. Senti uma emoção diferente; foi amor à primeira ida à Ilha.

Nestes 110 anos, se tem algo que faz o Sport ser este grande clube é o coração do seu torcedor. O Sport é apaixonante e o coração rubro-negro não tem dúvidas quando o sabe e sente a emoção de ver o Sport em campo. Comigo não foi diferente; mesmo criado entre os tricolores o coração era rubro-negro; eu ainda não sabia e foi apenas dar o primeiro estímulo. Um coração rubro-negro jamais será enganado, por mais que tentem levá-lo para o lado negro da força; o torcedor do Sport faz deste clube algo mais que especial; o sentimento de amor ao Sport é como o descrito por Vinicius de Moraes:

“Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.”

Nada mais certo do que dizer O SPORT QUE EMOCIONA, O SPORT QUE A GENTE AMA!

Parabéns SPORT CLUB DO RECIFE!

José Henrique Mota é rubro-negro, mora em Recife e é colunista do site parceiro Canelada F.B.

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado.

This article has 2 Comments

  1. Henrique: é um belo depoimento!
    Vejo que muitas vezes os pais querem dar direções para a vida do filho sempre achando que são as melhores para ele. A vida, porém, traz suas verdades e revelações que são particulares para cada indivíduo. A revelação de perceber, tão novo, o quanto estar no meio da torcida do Sport mexia com você, foi transcendental.
    Um abraço

  2. Henrique,

    Parabéns pelo depoimento, só faz confirmar a máxima popular que todos nascem torcedores do SPORT Club do Recife a sociedade é que corrompe, ou como fala o nosso amigo Max “O pais soquerem o melhor para os filhos” .

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