A Lebre leonina e a tartaruga campinense

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Por José Henrique Mota

Quando era criança, ouvia muito a fábula da lebre e da tartaruga e, hoje em dia, ela me parece muito apropriada para aplicá-la a realidade do Sport, principalmente ao se analisar o jogo de ontem contra a Ponte Preta na Ilha do Retiro, pela Série A do campeonato brasileiro.

Segundo o conto infantil, o mamífero se gabava de ser o animal mais rápido da floresta, até encontrar-se com o réptil, que lhe desafiou em uma corrida. No dia seguinte, tendo a raposa como juíza, a disputa ia começar e, tão logo foi dada a largada, a lebre disparou na frente, mas a tartaruga não se abalou e continuou com seus passos lentos.

Excessivamente confiante na vitória, a lebre parou para dar um cochilo antes de passar pela linha de chegada e a tartaruga, devagar, mas sem parar, passou pelo mamífero. Ao acordar, a lebre voltou a correr efusivamente, mas ao chegar à linha de chegada, viu que a tartaruga tinha vencido a corrida e deste dia em diante a lebre virou uma piada em toda a floresta.

O Sport foi como a lebre, que soberbamente confiante, parecia aquele time do primeiro semestre com o ego maior que o escudo da camisa, com a plena certeza da vitória. O time cochilou por boa parte do jogo (bem dizer, depois que marcou o gol) e deixou a Ponte, que não era de madeira para ser roída, quase intacta, não fosse o gol de Diego Souza, após bela troca de passes com André.

A Macaca não tinha nada de tartaruga quando botou velocidade na partida e, principalmente, no segundo tempo botou o Leão na roda. O Sport simplesmente não conseguia sequer sair com a bola tocada; era tudo na base do chutão e essa tática favorece apenas quem tenta atacar, pois a bola logo volta para os pés do time adversário.

O Sport apenas teve a arrogância da lebre, mas jogou com a lerdeza de uma preguiça com sono. Não dá para qualificar nem como tartaruga, tendo em vista que o réptil é persistente, mesmo conhecendo suas limitações. O rubro-negro precisa deixar de achar que 1×0 é jogo resolvido e que só precisa correr atrás do resultado quando a partida está 0x0 ou quando se encontra atrás do placar.

Renê precisa reclamar menos e jogar mais, Ferrugem precisa entender que a prioridade dele é marcar e não deixar espaços constantemente. Nossas laterais foram duas avenidas abertas para passagem durante todo o jogo e o time paulista abusou dos cruzamentos. Nosso time foi incapaz de impedir a jogada mais perigosa do adversário.

Baptista, tão estudioso, não conseguiu fazer o time obrigar a Ponte a jogar pelo meio. Nosso treinador também não convence na justificava ao substituir Wendell por Mancha. O primeiro não é um primor de marcação, mas vinha bem na proteção da zaga, erra poucos passes (ao contrário do camisa 5) e não perde a bola na saída para o ataque, algo que Mancha fez ontem por diversas vezes.

Manter Élber se arrastando no time não dá, assim como manter essa teimosia de colocar Régis do lado direito. Será que é muito difícil abrir André pela direita e centralizar o Brocador? Acho que já passou da hora do time sair da zona de conforto desse esquema mais que estudado pelos adversários e voltar a surpreender na série A, porque senão o returno vai ser apenas mais do mesmo.

Quarta tem sula e o apoio e a corneta estarão a postos! Rsrsrs

PELO SPORT TUDO!

Zé Henrique Mota é jornalista e colunista do site Canelada F.C.

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado.

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