A maldição

Hernane-Brocador-falhou-feio-na-Arábia-Saudita-e-deve-arrumar-um-clube-nas-próximas-semanas

Por Ivo Mascena

Sabe aquela tranquilidade que tem um torcedor quando sabe que seu time começa o jogo com uma expectativa alta de um determinado jogador fazer um gol ou dar uma (perdoem-me os puristas) assistência? O matador, normalmente vira ídolo. Afinal, como enfatizava Alexandre Santos na abertura de seu programa na Bandeirantes, com uma voz ao estilo dos antigos narradores, o gol é “o grande momento do futebol”.

A aposta da vez: Hernane, El Brocador. Uma consulta rápida no Google nos dá 125 gols em 175 jogos. Boa média, né? Não é um craque, mas não é um inimigo do gol. Nova tentativa de trazer um matador. E olha que temos feito tentativas… É claro que tivemos acertos. Marcos Aurélio, fez uma boa temporada. Ciro, que marcou 54 gols em 132 jogos. Vimos ainda um Leandro Machado, prejudicado em sua condição física, Luís Miller, a dupla Hélio e Moura (50 gols num ano) e os meus ídolos de infância, Roberto Coração de Leão e Luís Carlos Beiçola. Menção honrosa para nosso último grande atacante e craque, o piauiense Leonardo.

A regra, porém, não é de grandes ataques e nem sequer de grandes atacantes. Temos até a já folclórica fama de cemitério de centroavantes. Alguns notórios goleadores, passam em branco aqui. O cara que me quase me fazia acreditar no fim da maldição falhou: Neto Baiano. Puxa vida! Alguns chutes fortes e certeiros, um pernambucano muito promissor, gol decisivo na final do Nordestão e… poucos momentos relevantes no Brasileirão de 2014. O provável highlight foi aquele golaço contra o Botafogo. Gol que ficou nos TOP 10 de todas as listas formadas sobre o campeonato quando se tratou de gol bonito. E olha que em época de blogs, twitters, sites, etc, algo que ninguém pode reclamar é de dificuldade para criar suas listas. Tivemos casos curiosos, sem puxar muito da memória, com Roger, Alecsando, Alessandro e Magno Alves. Todos passaram pelo Sport com um brilho muito menor do que tiveram antes ou depois. Jogadores caros, jogadores baratos, craques, cones, caneleiros… parafraseando Humberto Gessinger, a maldição não poupou ninguém! Puxa vida, quem fizer um esforço vai trazer facilmente mais uns dez atacantes que ficaram devendo nos últimos 5 ou 6 anos. O elenco atual está pródigo neste quesito, bem sabemos.

Apesar disso, vimos, viemos e vencemos. Tivemos, com bem mais consistência, boas defesas. Goleiros de primeira linha não faltaram: Magrão, Bosco, Jefferson, País…Também tivemos atacantes fracos como Enílson e Carlinhos Bala, que nos deram títulos como a Copa do Brasil de 2008 ou os pernambucanos. Chego a conclusão que conviver com isso é quase uma sina, que faz com que a emoção de assistir a um jogo do Sport seja ainda maior, pois não estamos vivendo jejum de títulos nem estamos caindo pelas tabelas. Sofremos, mas vamos seguindo. Ser a única equipe do Norte e Nordeste a estar na série A não é um acaso. Assim, seja pela alegria, seja pela raiva pelos gols perdidos, vou cuidando do coração, pois nele há um leão tatuado.

Ivo é natural de Recife e reside em Brasília/DF

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *