Arena Pernambuco: “zona mista da intolerância”

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Por Alessandro Matias

Foi um domingo de Clássico como outro qualquer. As famílias indo para a Arena Pernambuco e as torcidas fazendo a festa. Mais um grande domingo para ver futebol e compartilhar com amigos, a prática de Sport. Tudo corria bem: a ida, o camarote, com amigos, e etc.

O problema de ontem, além de não ter um futebol que agradasse o público, foi a intolerância. Como sempre faço, converso com amigos da diretoria do Sport e vez em quando encontro amigos do time adversário. Tudo na paz e na democracia dos gostos e opiniões diferentes. O problema da intolerância apareceu justamente em um local onde é conhecido (e orgulho da Arena Pernambuco) por ter a “convivência” das duas torcidas: a famosa zona mista.

Ontem, ao contrário das outras promoções do site Eu Pratico Sport, fiz diferente. O torcedor que compartilhasse o post da promoção e me encontrasse na Arena, antes que qualquer outro torcedor, levaria uma camisa. E logo um praticante de Sport me reconheceu nos camarotes e falou da promoção. Legal! Desci e fui ao encontro do garoto, que estava na zona mista.

Ao chegar, o rapaz, que estava muito alegre por receber o prêmio, foi fazendo a festa. Logo, registrei uma foto e fiz uma chamada, ao vivo, no meu Periscope.

O problema, se é que existe problema, é que eu estava vestindo a camisa do meu site e que tem o escudo do Sport. Logo que terminei a chamada, ao vivo, a PMPE já estava aguardando para conversar comigo. Na conversa, que foi muito educada e cordial, o PM me informou que já tinha torcedores incomodados com a minha presença e a do garoto, que tinha vestido a camisa do prêmio.

Perguntei se o local não era a chamada zona mista. E ele falou que sim, era a zona mista. E logo me veio a segunda pergunta: qual o meu erro?

O PM, muito educado, falou: “o problema é que a turma já, já vem aqui”. E ainda complementou com um conselho: é bom o garoto retirar a camisa que ganhou também. Como ninguém é burro de ir contra um conselho de um PM, que faz parte do Batalhão de Choque, logo o ganhador da camisa obedeceu o conselho do educado policial.

Para evitar mais transtornos, me despedi do garoto e voltei ao camarote. E como se não bastasse, recebi um Twitter, logo após o jogo, do ganhador da camisa, em que dizia: “Alessandro, fui brutalmente ameaçado por torcedores do Náutico logo que você saiu.”

Engraçado é que a famosa zona mista não é barata. Logo, não é local para pessoas que tenham o poder aquisitivo mais baixo. É frequentado, por sua maioria, por pessoas que, se não tem acesso à informação, convivem em locais bem mais privilegiados do que as camadas mais humildes da sociedade. Tudo isso indo de encontro ao argumento que violência é coisa de torcedor pobre, negro ou somente de torcida organizada.

É bom deixar bem claro que a violência e o preconceito estão em todas as camadas da sociedade e em um alto grau de intolerância no desrespeito ao gosto diferente. As pessoas estão vivendo em um mundo em que somente pode “conviver comigo” os que pensam iguais. E esse pensamento pode ser certo e, principalmente, errado. Contanto que pensem SOMENTE igual ao que “eu acho”!

Em uma sociedade em que, em menos de uma semana, em um jogo dos dois clubes, um torcedor imitou um macado em direção a torcida do Sport e que uma participante de um programa de TV é idolatrada por ser fútil, mal educada e por ter dado dois tapas no rosto de um outro integrante do programa: algo está errado! Ou tudo, não?

De qualquer forma, e em último caso, quero agradecer a segurança e o atendimento cordial da PMPE.

 

Alessandro Matias é editor do site Eu Pratico Sport

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado

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