Classificação dos Estádios: vamos “fazer de conta”?

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Por Alessandro Matias

O Ministério dos Esportes lançou nesta quinta-feira, em São Paulo, uma lista que classifica os estádios brasileiros: o Sistema Brasileiro de Classificação de Estádios – Sisbrace. O sistema propõe melhorias nos referidos estádios nos quesitos de segurança, conforto, acesso e higiene, entre outros fatores.

Por aqui, em Pernambuco, nada de novo. A Arena Pernambuco ficou em primeiro lugar com 5 bolas, Ilha do Retiro com 3 bolas, e Arruda, Ademir Cunha e os Aflitos com 2 bolas, respectivamente.

Sendo mais direto, ouvi um dirigente do Santa Cruz revoltado com a classificação de duas bolas, apenas, no “Arrudão”. Engraçado é que é um discurso para quem? Todos sabem que o Arruda tem vários problemas e de várias ordens.

O primeiro (e vou poupar a paciência do amigo leitor e somente citar o principal), e que podemos ficar com medo (muito medo), é o estrutural: ontem mesmo caiu um pedaço do estádio com uma chuva que, segundo alguns, chegou no máximo aos 60 km/h.

Por ironia do destino e como um castigo da natureza, um dirigente do Santa Cruz falava nas rádios, poucas horas antes das chuvas, que o estádio tinha tudo o que era de bom e em todos os quesitos que foram negados pela famosa lista divulgada.

Se um estádio não segura uma força dessa, imaginem com torcedores tricolores saltando nos 90 minutos ou entusiasmados com o grito de gol do Santa Cruz? E se for um clássico contra o Sport ou Náutico em um jogo lotado e decisivo? Pior ainda!

É interessante destacar que aqui não estamos defendendo nenhuma cor e bandeira de clube do estado de Pernambuco. É uma questão de segurança e de ordem (necessariamente nesta ordem). Temos que ter confiança nas pessoas públicas e também nas que possuem cargos nos clubes de Pernambuco. Se assim não for, viveremos em uma utopia generalizada! E isso me gera medo.

Joguei futebol, nos anos 80, no Ademir Cunha. Naquela época, recém inaugurado, o estádio já tinha problemas de todas as ordens. Fico imaginando um Arruda, com a mesma classificação do Ademir, nos dias de hoje, explico…

Recentemente, imagens do gol de Carlinhos Bala encheram os olhos de quem torce pelo “mito” que o atleta virou para o futebol pernambucano. Ao mesmo tempo, para quem tinha uma visão mais apurada do circo que foi montado, nos deu vergonha das cenas: mato alto que mais parecia uma plantação de cana, esperando o corte, bem perto da linha de campo. Isso sem falar das tenebrosas arquibancadas apresentadas. Imaginem, então, a segurança de um estádio desse?

Para piorar, como pode um estádio, que recebe inúmeros torcedores (no caso do Arruda), e está em vigor e em pleno exercício (não da forma que era para estar), ter a mesma classificação de um estádio abandonado (por anos) como é o caso dos Aflitos?

Estão “brincando” com a segurança da sociedade pernambucana ou vamos desconfiar dessa lista?

O que me irrita, além da falta de seriedade, é o tom de voz e o oportunismo de certos dirigentes (com um tom ameno e de discurso furado de político) em um caso tão sério.

Sinceramente, pelo bem de todos (tricolores, alvirrubros, rubro-negros e de torcedores visitantes) prefiro acreditar que a lista reflete a realidade que meus olhos têm comprovado ao longo dos anos. Duvidar, neste caso, não é uma forma inteligente.

Que saudade da minha querida professora Raynette, de Moral e Cívica, me dizendo: “Matias, cada povo tem o líder que merece!”

No caso do futebol, dá para acreditar?

 

Alessandro Matias é editor do site Eu Pratico Sport

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado

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