Contra time e juiz do Corinthians, Sport perde em Itaquera

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Por José Henrique Mota

Final de segundo tempo, jogo empatado, bola cruzada na área do Sport da linha de fundo para o meio da grande área. Rithely dá um carrinho para tentar travar a jogada, mas o atleta corintiano consegue o cruzamento e a bola bate na mão do atleta rubro negro. O juiz paulista e assumidamente torcedor do time da casa marca o pênalti.

Eu aceitaria discutir se foi ou não pênalti se (e somente se)houvesse um critério minimamente aceitável. No jogo Flamengo e Cruzeiro, no Mineirão esse mesmo árbitro não marcou pênalti em um lance igual, mas era contra o Cruzeiro no Mineirão, entendo perfeitamente porque ele não o fez. Domingo o jogador do Corinthians virou o corpo, abriu o braço e não foi marcado o pênalti. Ontem foi, porque segundo a determinação da CBF, Rithely “assumiu o risco”.

á que futebol virou Direito Penal e “assumir o risco” importa em fazer pênalti, teremos agora o pênalti culposo e o pênalti doloso. No intuito de ajudar a criar a jurisprudência a respeito do assunto, o de ontem pode ser classificado como culposo, porque o jogador do Sport não queria cometer a penalidade, mas assumiu o risco fazendo uma jogada perigosa dentro da área, sem ter o cuidado de amputar os membros superiores antes de realizar ato tão temerário.

Aproveitando que o futebol está virando ciência jurídica do ramo penal, poderia-se aproveitar os instrumentos que constam no nosso código com relação aos juízes sobre suspeição e impedimento. Vamos ver o que diz nosso Código de Processo Penal:

Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:

I – se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles;

II – se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia;

III – se ele, seu cônjuge, ou parente, consanguíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes;

IV – se tiver aconselhado qualquer das partes;

V – se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes;

VI – se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo.

Mais fácil que isso, impossível: O juiz do jogo de ontem se enquadra no inciso VI do art. 254, no qual o juiz é suspeito se for sócio de parte interessada. Claro que os nossos competentes dirigentes lá da CBF, que se apressaram em soltar nota defendendo o juizão, teriam a brilhante ideia de adicionar um inciso VII para o artigo, no qual o árbitro mesmo que não seja sócio declare-se suspeito caso seja torcedor do time interessado.

Sobre o Sport, digo que jogou bem. Em boa parte do jogo melhor que o Corinthians. Renê e Matheus Ferraz estiveram abaixo da média que eles nos tem nos mostrado. A avenida na lateral esquerda esteve aberta durante boa parte da primeira etapa e tomamos o primeiro gol com uma escapada pelas costas de Renê e uma falha da linha de impedimento. Samuel Xavier fez o gol contra em uma infelicidade tremenda; chegou em tempo na bola, mas ela foi cruel com nosso lateral.

Sport foi time macho ontem e isso não se pode negar. Em um jogo que muitos consideravam perdido, Eduardo mudou a postura da equipe, que chegou com muito mérito ao empate. Teve ainda um gol bem anulado e conseguiu ajustar a marcação, mas ante uma arbitragem que na hora da dúvida foi caseira, o Leão foi derrotado. Não há que chorar por nada, o time fez o seu melhor. Agora é atropelar Ponte Preta e Figueira para voltar ao G4.

Leão valente que deu orgulho à sua torcida!

PELO SPORT TUDO!

P.S. Agora, já que a CBF quer mudar futebol para Direito Penal bem que podia mandar o Marco Polo Del Nero para fazer um curso na Suíça NE?

Zé Henrique Mota é jornalista e colunista do site Canelada F.C.

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado.

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