Excesso de autoridade ou jogo limpo?

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Por Henrique Santos

A CBF editou uma recomendação para a arbitragem neste campeonato brasileiro ara que não sejam toleradas reclamações, tanto por parte de jogadores, como da comissão técnica, e que a insistência e a indisciplina deveriam ser punidas com cartão amarelo ou, em casos mais graves, cartão vermelho.

O efeito foi imediato: um acréscimo médio de aproximadamente 30% em número de cartões. Nas primeiras rodadas se observou um número maior, que pode ser explicado pelo não costume das novas regras e também pelo excesso de autoridade das arbitragens.

O que deveria ser o foco principal da nova medida era a redução dos atos de indisciplina, mas o que se tem visto é uma tirania e uma perseguição por parte da arbitragem em alguns lances, quase que provocando situações apenas para punir os jogadores, estrelas principais do espetáculo.

Já vi lances de agressão, carrinhos violentos, faltas que matam bons contra-ataques, e outros lances não sendo punidos com cartão, porém uma comemoração de gol, um sorriso irônico como protesto por erro da arbitragem e mesmo uma reclamação quando o jogador tem razão, serem severamente punidos inclusive com cartão vermelho.

Penso o seguinte: o futebol não pode ser “engessado”, mas também os jogadores não podem querer literalmente “apitar o jogo”. Deve-se buscar o meio termo. Se por um lado o juiz é “intocável” na partida, por outro cabe à CBF qualificar as arbitragens e, como contrapartida para defesa dos clubes e dos jogadores, punir com severidade erros importantes em que o prejudicado não tem mais o direito de reclamar.

Um erro de arbitragem pode decidir um campeonato. Quem não lembra ou não sabe do jogo Sport x Flamengo em 1982, onde o Leão foi garfado em plena Ilha do Retiro, sendo eliminado na ocasião? Ou então a inversão do título de campeão brasileiro na final Santos x Botafogo em 1995, quando os cariocas acaram como campeão?

É preciso ressarcir os clubes punidos, inclusive com um fundo criado onde o árbitro seria multado num percentual de sua taxa de arbitragem e o valor seria recolhido a esse fundo. É apenas uma semente de ideia, mas não podemos criar “Soberanos da arbitragem” sem uma garantia de contrapartida para os clubes.

Henrique Santos mora em Brasília-DF e integra as equipes da Leões do Cerrado e do Podcast Eu Pratico Sport.

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado.

 

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