Já é Réveillon na Ilha

Reveillon-20151

Por Alex Amaral

Depois de um segundo tempo terrível, tomamos um belo chocolate dos argentinos e o réveillon chegou mais cedo.

Não, não vou fazer merchan de nenhuma festa de fim de ano anunciada pela diretoria do Sport. Mas não me surpreenderia se a direção de futebol anunciasse o final de 2015 a três meses do Réveillon. De fato, o ano acabou para nós e da forma mais lamentável e melancólica possível.

Os dias que antecederam a partida contra o Huracán foram até de otimismo. O empate em casa não desanimou a torcida, nem criou um clima de velório entre os jogadores. Todos nós ainda acreditávamos que seria possível ir a Buenos Aires e enfrentar os argentinos de igual pra igual.

Quando a bola rolou, ainda tivemos um breve momento de esperança nos 15 minutos iniciais da partida. O time tocou a bola, ocupou bem os espaços e chegou a ameaçar a meta do time portenho. Porém, rapidamente a partida mudou de rumo. O nervosismo tomou conta do grupo. Não apenas dos que estavam em campo, mas também do nosso banco de reservas e comissão técnica.

Vamos aos fatos: com 12 minutos de jogo, Rithely já tomou um amarelo bobo; Diego Souza parecia pouco confiante e quase não arriscou jogadas mais incisivas; Régis, a eterna promessa, fugiu do jogo como o diabo foge da cruz; e no final do primeiro tempo, o treinador Falcão (considerado uma pessoa extremamente elegante) foi expulso por reclamar demasiadamente da arbitragem.

Isso não é um perfil de um grupo que almeja um título sul-americano. Pra chegar a essa conquista, é preciso ter sangue frio, jogar com inteligência e não cair nas provocações dos hermanos. Além disso (e esse é um problema que assola o time do Sport no Brasileirão também), é necessário jogar com intensidade, verticalmente, na direção do gol, mesmo que isso acarrete em alguns riscos, e sobretudo ter confiança no próprio potencial.

O ano acabou pro Sport com essa impressão de que o grupo não confia em si mesmo. A mudança recente da comissão técnica ainda não surtiu efeito nesse sentido, mas espero que Falcão use esses meses até o Réveillon para aumentar a autoestima e o controle emocional dos nossos jogadores.

A torcida já se cansou de discursos derrotistas e de jogadores que jogam apenas quando querem. A festa de fim de ano que gostaríamos de ter precisaria ser coroada com alguma conquista relevante ou, pelo menos, a indicação de luta incessante por essa vitória.

Por enquanto, o que nos restou foi uma festa de Réveillon com gosto amargo. Nosso champanhe perdeu todo o gás antes mesmo de ser aberto. E, quando esperávamos o estrondo da rolha voando e liberando o espumante, ficamos com cara de paisagem, assistindo a festa dos outros.

Alex Amaral mora no Rio e é colunista do site Canelada F.C.

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado.

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