O paredão da Ilha

magrao

Por José Henrique Mota

Neste 26 de abril, dia do goleiro, eu não poderia falar de outro arqueiro que não Magrão, o maior goleiro da história do Sport Club do Recife. Incontestável dentro e fora de campo Alessandro Beti Rosa veio parar na Ilha do Retiro a pedido do então treinador Zé Teodoro no longínquo ano de 2005. No último 21 de abril completou 10 no Leão da Ilha e com pedidos da torcida para ficar muito mais.

Chegou do Rio Branco-SP para ser o reserva de Maisena, então titular absoluto do time. O começo foi complicado entrando e saindo do time várias vezes. Viu Gustavo defender o pênalti de Lecheva em 2006 e levar o Sport ao título daquele ano, mas no meio da série B agarrou com luvas e dentes a titularidade, perdendo-a em 2007 quando Giba veio treinar o Sport. Depois da chegada de Geninho, Magrão voltou a ser titular para nunca mais sair e a torcida agradece isso todo jogo.

Mas antes de se consolidar como titular absoluto da camisa 1 do Sport e se tornar o ídolo que é hoje ele participou de um lance que entraria para a história do futebol mundial: Magrão foi o goleiro que levou o gol 1000 de Romário. Para o arqueiro nenhum problema nisso “ Só tenho a agradecer por ter entrado na história de um dos maiores jogadores do futebol mundial.”

2008 foi o ápice de Magrão. Titular absoluto foi uma peça fundamental na conquista da Copa do Brasil pelo Sport. Parou os ataques de Palmeiras, Internacional, Vasco e Corinthians em muitas ocasiões. Ainda hoje, alguns corintianos reclamam de um possível pênalti de Magrão em Beto Acosta nos minutos finais da decisão na Ilha do Retiro.

Magrão não apenas um líder dentro de campo, mas também, e de forma crucial, fora dos gramados. O camisa 1 é um líder nato e sabe conduzir os colegas de elenco para ter no Sport um clima sempre harmonioso. Não que o vestiário seja um santuário, não obstante não há um desmantelo descabido como era o Palmeiras de 92/93, por exemplo.

Na campanha da Copa do Brasil, Magrão fez até gol. Na semifinal contra o Vasco marcou um dos penais decisivos e fez o Animal Edmundo tremer à sua frente e jogar a bola para a arquibancada classificando o Leão para a decisão contra o Corinthians.

Falando em pênalti, O Paredão da Ilha já defendeu 22 penalidades. O primeiro contra ninguém menos que Rogério Ceni. Kleber Pereira, Dênis Marques, Keirrison e Tcheco foram alguns que sentiram o peso de encarar Magrão em uma penalidade e perderam sua chance de estufar a rede do arqueiro.

Magrão é um goleiro que não faz movimentos desnecessários e, por isso, quando faz defesas plásticas elas chamam muito a atenção. Durante a Libertadores 2009, ele garantiu a primeira vitória de um time brasileiro contra o Colo Colo, jogando em Santiago, ao fazer uma defesa incrível, considerada por muitos a mais bela defesa de sua carreira.

Magrão é um vitorioso acima de tudo. Não apenas pela sua brilhante e irretocável carreira no Sport, como também pelos números. Desde que chegou em abril de 2005 ou foi campeão pernambucano ou esteve na final com o Sport; o saldo são 6 títulos pernambucanos, incluindo um pentacampeonato(em 9 disputados), um título da Copa do Brasil, um da Copa do Nordeste, uma participação na Libertadores, duas na Sul americana e uma série de prêmios individuais.

Acostumada com grandes goleiros como Manga, Leão, País, Gilberto e Bosco (Zetti foi um grande goleiro, mas não no Sport), Magrão elevou e muito este bom nível e quem vier a substituí-lo terá uma árdua missão, porque substituir o maior jogador da história de um clube não tarefa das mais simples.

Magrão é a oportunidade do torcedor do Sport ver a história do clube sendo escrita ao vivo. Daqui a 30, 40 anos contarei a meus filhos e netos que vi Magrão atuando diversas vezes com o manto sagrado, vou mostrar o DVD (se existir daqui até lá ehehe) da Copa do Brasil e as incríveis defesas deste ícone do futebol brasileiro. Não existem muitos como ele. Admiremos sua arte em impedir gols e seu talento, da mesma forma que admiramos os artistas clássicos: com uma contemplação que nos deixa abismados com tamanha grandeza.

Magrão, o Paredão da Ilha, sua história está eternizada junto com a do Sport e a nação rubro-negra jamais esquecerá seu grande ídolo.

* José Henrique Mota é pernambucano, reside em Recife, é torcedor do Sport Club do Recife e escreve para o Blog Canelada

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado.

This article has 1 Comment

  1. Henrique,
    Numa época em que as passagens dos ídolos pelos clubes são tão fugazes, uma década prestada em favor de um time revela muito sobre o atleta. E sobre o clube.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *