Os 90 minutos são sagrados

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Por Alex Amaral (@alexamaral87)

O Sport precisou de um pouco mais do que 90 minutos pra marcar o gol da vitória no jogo de ida dessa semifinal, mais do que a duração da paciência do nosso torcedor.

Foi uma noite linda de futebol na Ilha do Retiro. Teve Avenida Rubro-Negra, estádio lotado, tensão até os últimos minutos, apreensão e muito nervosismo. E teve o mais importante, vitória do Leão! Com isso, viajaremos a Campina Grande com a vantagem de poder empatar, nos próximos 90 minutos, para garantir a vaga na final.

Essa tranquilidade será fundamental para evitar o que aconteceu nesse jogo de ida. O Sport não conseguiu transformar a confiança do torcedor e a maior posse de bola em chances claras de gols. De fato, foram poucas e isso demonstra que o entrosamento do time não está lá essas coisas. E se alguém deve assumir a responsabilidade por isso, esse alguém é Falcão.

O JOGO

No primeiro tempo, o destaque foi Mark González. Era pelos pés do chileno que passavam as principais jogadas do Sport. Pelas pontas ou pelo meio, Mark mostrou muita vontade, mas o seu pé direito atrapalhou. Falcão atrapalhou um bocado também quando o deslocou pra ala direita. No outro extremo do campo, Lenis errou praticamente tudo que tentou fazer. E no meio de campo, mais do mesmo, um vácuo gigantesco atrapalhava a conexão com o ataque, obrigando os zagueiros a fazer muita ligação direta.

No intervalo, a torcida bipolar (como sempre!) esboçou vaias ao time.

O segundo tempo mostrou um Campinense mais afoito e disposto a explorar contra-ataques. Aos 20 minutos, as vaias começaram a ganhar força, principalmente por causa dos erros seguidos de passe. Era hora de mexer no time, então Falcão resolveu poupar Mark e colocou em campo Luiz Antonio. Um retrocesso tremendo! O ataque continuou nulo, mas os espaços lá atrás apareceram e a festa só não virou tragédia porque Danilo Fernandes é um goleiro que só não está na seleção da CBF porque joga num time nordestino.

Quanto mais o tempo passava, mais impaciente ficava a voz das arquibancadas. A cada movimento de Falcão no banco, ouviam-se gritos de BURRO. As entradas de Johnathan Goiano e Maicon só agravaram a raiva do torcedor. Depois de duas grandes chances desperdiçadas pelo camisa 77, já nos acréscimos, Seu Durval (o MITO) deu uma aula de cabeceio e acabou com o choro e ranger de dentes que vinha da arquibancada.

OS 90 MINUTOS SÃO SAGRADOS

A explosão de alegria depois do gol foi emocionante! Nada é mais importante num mata-mata do que vencer em casa sem sofrer gols. Porém, ela não apaga as falhas durante a partida. Vimos muitas do nosso treinador, que posicionou mal jogadores cruciais como Mark González e Diego Souza e ainda errou em TODAS as substituições que fez. A assistência cagada de Maicon não me iludiu, o seu futebol me dá câimbras na vista!

Mas Falcão não foi o único que errou rude. A torcida, que vinha acertando desde antes de a bola rolar, caiu na pilha da cornetagem gratuita, aquela típica dos velhos torcedores “pé-de-rádio”, e cometeu o único pecado capital da bola. Os 90 minutos do futebol são sagrados! Vaiar seu time e ofender seu treinador antes do apito final é um sacrilégio, uma tentação ainda irresistível, que só serve pra aumentar o nervosismo da equipe.

Ao final da partida, a história é diferente!

 

Alex Amaral mora no Rio e é colunista do site Canelada F.C.

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado.

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