Quem tem boca vaia Roma ou quem tem boca vai a Roma?

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Por Ivo Mascena

O ditado é conhecido, mas recentemente foi questionado em sua grafia e, consequentemente em seu sentido. A versão tradicionalmente evocada fala sobre como se chegar a algum lugar: quem tem boca (e não tem vergonha de perguntar) vai a Roma. Na profusão de informações falsas e verdadeiras da Internet, surgiu a tese de que não era “vai a” e sim “vaia” Roma. Para embasar esta hipótese, falou-se da república romana e de seu senado, posicionando o apupo como forma de pressão popular sobre os senadores.

E Roma, de tanta história e tanta influência no mundo ocidental, calha de ser a cidade onde Paulo Roberto Falcão viveu o auge da fama dentro do futebol. O catarinense venceu três campeonatos brasileiros pelo Internacional na década de setenta, o que lhe valeria uma participação na copa de 1978, na Argentina, não fosse uma birra do então técnico da seleção à época, Cláudio Coutinho. Algo surpreendente para um ano em que tinha recebido o troféu Bola de Ouro da revista Placar numa época em que praticamente todos os melhores jogadores brasileiros atuavam no Brasil.

A transferência para a equipe da Roma no início da década de 80 foi um sucesso e Falcão foi o principal responsável pelo campeonato vencido pelo time após um hiato de quase quarenta anos. Recebeu a nada humilde alcunha de “O Rei de Roma”. Na mítica seleção de 82, era um dos destaques, e chegou a fazer um dos gols na derrota do Brasil para a Itália, jogo em que fomos eliminados. Sua participação na copa da Espanha ampliou no Brasil a quantidade de fãs. Eu me incluo entre os que passaram a acompanhar seus jogos.

Após encerrar sua carreira como jogador, estreou como treinador na seleção brasileira. Resultados pouco expressivos e muitas críticas acabaram derrubando Falcão do cargo menos de um ano após sua efetivação. Ainda treinou a seleção do Japão, o América do México, o Internacional e o Bahia. Maior e mais reconhecida que sua trajetória de treinador foi seu período como comentarista esportivo, algo que fez por cerca de catorze anos.

Em setembro do ano passado, ele chegou à Ilha. Uma aposta um tanto surpreendente. O Sport tinha passado várias rodadas no G4 e, depois de um certo tempo, ficou na metade de baixo da tabela. A torcida sabia que o um técnico novo poderia dar a motivação necessária, mas trazer um que estava há tanto tempo parado parecia um risco.

Veio, viu o time, não alterou o esquema de jogo e venceu. Acabou conduzindo o Sport a um honroso sexto lugar e ainda chegou às últimas rodadas com chances de brigar pela vaga na Libertadores.

Viramos a página. Com a saída do trio que teve muito a ver com o desempenho do Sport – Diego Souza, André e Marlone, 2016 começaria impondo o desafio de montar o time.

Ainda não conseguimos ver um nítido padrão de jogo no Sport. A cada jogo, percebemos uma mudança tática. Ainda estamos vendo Falcão experimentar para identificar o melhor esquema de jogo. As vitórias têm vindo, mas não são convincentes. Contra o Náutico teremos a oportunidade de ver como será escrito o ditado: se a boca do torcedor vaiará o Rei de Roma ou se a boca do treinador dará instruções que levarão o Sport ao sucesso da Roma de 80.

Ivo é natural de Recife e reside em Brasília/DF

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado.

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