Sport, marcado, sente a dificuldade e o ônus de ser vitrine

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Por Alessandro Matias

Da forma que o elenco do Cruzeiro foi deixado no aeroporto de Belo Horizonte, pela torcida, e já conhecendo o histórico do Vanderlei Luxemburgo, já dava para perceber mais ou menos qual seria a estratégia usada na capital pernambucana. Isso sem falar nos indícios já treinados e demonstrados na Toca da Raposa visando o confronto com o leão.

Sport e Cruzeiro empataram em um jogo fraco aos olhos e com poucas situações de gols para os pernambucanos. Foi o jogo da observação feita Vanderlei Luxemburgo, em cima do rubro-negro, durante o Brasileirão 2015. O preço que se paga às vezes é alto demais.

Se observarmos os melhores momentos do jogo constataremos o que aconteceu: o comandante do time mineiro veio para garantir o seu emprego por pelo menos mais uma rodada. Empatar com o melhor mandante de jogos do mundo seria (e foi) o melhor fato para levantar a moral do time azul de minas e, principalmente, do seu técnico.

O Sport pouco fez, ou melhor, nada fez. Para se ter uma ideia, um chute ao gol não foi lembrado nos melhores momentos do primeiro tempo: apenas duas cabeçadas e nada mais. Também não vamos crucificar o André. Quais as chances reais em que ele foi colocado na frente da meta mineira?

Régis, aquele que eu falava, na resenha pré-jogo, que entraria como um encaixe no time titular, nada fez: ficou “voando” e para constar que jogou, é bom o torcedor olhar a súmula do jogo. Em alguns minutos, durante a partida, mudou de posição com DS87: Diego puxou mais para a direita e Régis para o meio. Nada feito!

Rithely, muito bem marcado, desde o início, foi outra constatação: sem ele produzindo, o leão perde muito em termos de saídas de bola ao ataque. Com poucas exceções durante a partida, o Sport ficou longe de ser aquele time que encantou em outros jogos dentro dos seus domínios.

Não sejamos cegos ao ponto de não enxergar que foi um jogo de xadrez. Gostem ou não do comandante mineiro, ele é muito bom na mudança de peças e estratégias.

Do lado do Sport eu coloco uma pequena oscilação do time, que é normal em um campeonato longo e com um elenco ainda limitado em alguns setores, e também a fraca atuação do meio de campo, com a marcação mineira, e sem produção objetiva.

Quanto ao Brocador, já falava que ele não é um jogador técnico. Não esperem jogadas espetaculares e etc. É um artilheiro, atacante na acepção do termo, e tipo aquele centro-avante das antigas: finalizador. Entrou e fez o que já era esperado por quem vem acompanhando o futebol do Sport e as expectativas dos trabalhos do jogador.

O que o atleta precisa é de ritmo de jogo e também de uma encaixada e mudança de forma de jogar do Sport. Sendo assim, pode-se adaptá-lo melhor e mais rápido ao esquema de jogo e aproveitá-lo no seu potencial e faro de gol. E isso, Eduardo Baptista deve fazer com perfeição daqui para a frente.

Ao final, o Sport (marcado) sentiu a dificuldade e o ônus de ser vitrine e saiu no lucro.

Alessandro Matias é editor do site Eu Pratico Sport e blogueiro do Globoesporte.com

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado.

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