Standing on the shoulders of a Giant

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Por Ivo Mascena

“Eu sou a nata do lixo, sou do luxo da aldeia, sou do Ceará”. Esse é um trecho de uma música chamada Terral, do arquiteto e dublê da cantor Ednardo (o que engomava as calças e admirava um pavão estranho), e é considerada um hino extraoficial das terras alencarinas, algo como o “Voltei Recife”ou “Leão do Norte” serve para nós.

A frase pode ser interpretada de diversas maneiras, curiosas e instigantes.

Ele queria dizer que o Ceará era o melhor entre os piores, supondo que os pares sejam os estados nordestinos? Era um reconhecimento da arrogância e megalomania dos cearenses num contexto em que não haveria motivo para orgulho? Era uma forma irônica de dizer que apesar do preconceito em relação aos nordestinos pelo Sul/Sudeste, a imagem vista no espelho trazia força e beleza? Seja como for, e por qualquer entendimento, ela é bradada pelos nossos irmãos mais ao norte.

No nosso contexto, trazemos a discussão sobre o que é melhor para o Sport: enterrar de vez Santa e Náutico ou conviver com eventuais derrotas contra os adversários locais? Nosso orgulho e nossas conquistas são valorizadas por quem? É preferível ser o luxo da aldeia ou conviver com o respeito aos adversários num contexto em que o futebol de Pernambuco é valorizado a nível nacional?

Sou daqueles que acreditam que a competição e a sombra dos adversários de melhor nível estimulam nosso próprio desenvolvimento. Vejam que não é por acaso que vemos o futebol carioca hoje num nível bem baixo e que Santa Catarina conta com quatro times na série A. Menos casual ainda foi a ascensão dos dois clubes mineiros a principais expoentes do futebol nacional. Quando estavam o Atlético estava ruim, em poucos anos o Cruzeiro também estava. Quando o Cruzeiro ascendeu, o Atlético o acompanhou.

Desta forma, penso que nunca ficarei feliz com uma derrota do Sport para o Santa ou pro Náutico, mas que também não fico feliz com os rebaixamentos de nossos adversários locais. A alegria disso é fugaz –acaba poucos dias após o acontecimento do fato – e torna nosso Sport menos vigilante, despreparado para o embate do Brasileirão, para a Sulamericana e para uma eventual Libertadores. Até vejo com bons olhos o crescimento do Salgueiro e torço para que não seja um segundo Central, o primeiro antagonista que presenciei ao vivo, em 1982, na decisão do terceiro turno do pernambucano. 1X0 Leão, campeão dos três turnos daquele ano e, consequentemente, vencedor do certame. Quanto mais clubes fortes no estado, melhor. Como diz o ditado africano: “Quer ir mais rápido, vá sozinho. Quer ir mais longe, vá em grupo”. Não quero que sejamos a nata do lixo.

Temos que ser a nata do Brasil.

Ivo é natural de Recife e reside em Brasília/DF

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Leões do Cerrado.

This article has 3 Comments

  1. Excelente texto Ivo. Compartilho do seu raciocínio apesar de ser um cearense desapegado aos times locais. Ainda sou ingênuo ao ponto de somente admirar o conteúdo de jogos como Barcelona x PSG…
    Mas o caminho é esse. Tens razão!

  2. Acredito que não podemos pensar em nata, poderíamos aproveitar a nata e fazer dela uma boa vitamina, só assim teríamos um futebol mais nivelado aqui no Brasil. Diferentemente do que na Espanha, onde é notório apenas duas forças.

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